quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O livro na idade média - 2


...Entre os próprios homens de saber, as coleções de livros possuíam importância variável. A biblioteca de um estudante, ainda que abastado, não ultrapassava praticamente, em média, uma dúzia de volumes: os livros de estudos fundamentais, de um lado, uma ou duas coleções de textos religiosos, de outro. Seus professores, que tinham necessidade de uma pequena biblioteca pessoal para preparar seus cursos, eram um pouco melhor aquinhoados e possuíam, para além das "autoridades" de base, um determinado número de comentários e tratados modernos; isso representava, no mínimo, cerca de trinta livros. Contudo, alguns mestres, mais ricos ou de espírito mais curioso, possuíam bibliotecas que alcançavam ou até ultrapassavam uma centena de volumes. Foi igualmente com essa cifra média de uma centena de volumes que se organizaram as bibliotecas de homens do Parlamento de Paris por volta de 1400. Tais cifras não eram sensivelmente ultrapassadas, a não ser nos casos de verdadeiros bibliófilos (como o escrivão Nicolas de Baye ou, cinqüenta anos mais tarde, Roger Benoîton, antigo notário e secretário do rei que manteria orgulhosamente o catálogo comentado de 257 livros de sua coleção pessoal), ou de personagens que haviam acedido a altas funções ...